Felipão e o modelo de gestão compartilhada

 

Fonte: Portal Época Negócios / Coluna Prazo de Validade

Acompanhe no artigo de Carlos Faccina, uma interessante comparação do modelo de gestão compartilhada adotado pelo técnico da seleção brasileira Luiz Felipe Scolari e a gestão de empresas.

O modelo de gestão da Seleção Brasileira de Futebol pode ser considerado um modelo para as empresas? Faço referência ao desafio assumido pelo técnico Felipão em parceria com o coordenador Carlos Alberto Parreira. Enquanto o primeiro cuida da gestão dos atletas no campo, Parreira trabalha na arena administrativa para garantir que todas as questões que estão fora do campo sejam resolvidas.

 

Nas seleções, já observamos a figura do coordenador técnico exercida por Zagallo, Zico e até Antonio Lopes. Trata-se de um papel importante como anteparo para o técnico priorizar e solucionar as questões dentro das quatro linhas, o que não é pouco num mundo de tantos interesses financeiros e, principalmente, que gera tantas emoções de paixão e ódio.

Neste caso, pelo peso do nome dos dois treinadores campeões do mundo, percebi uma cumplicidade na beirada do campo que facilita um trânsito de opiniões nas áreas técnica, tática e de gestão. Embora seja de Felipão a voz ouvida nas entrevistas coletivas sobre as estratégias, não me parecem que sejam fruto de uma visão isolada das demandas de campo. O treinador já reiterou a confiança que ele depositada no escoramento feito por Parreira.

Mas ao colocar uma lente de aumento nessa análise, não podemos esquecer o papel de outra figura proeminente nessa condução: o auxiliar-técnico Flavio Murtosa. Não é possível separar Felipão do seu fiel escudeiro, integrante inevitável da equipe do comandante em qualquer clube ou seleção que trabalhe.

Em reportagem do Esporte Espetacular em 09 de junho, que contou a trajetória de Felipão, foi possível conhecer a construção dessa parceria, que nasceu com muita desconfiança mútua e se perpetuou ao longo do tempo.

O futebol é mundo de muita vaidade onde a marca deixada pelos nomes dos profissionais e as conquistas a eles atribuídas são muito importantes para a avaliação do desempenho. Murtosa não se aflige com a sombra do chefe e a parceria Felipão-Parreira é harmônica porque nenhum dos dois tem necessidade de provar seu valor individual após currículos consagrados.

Nas empresas, a vaidade e o desempenho personalista também são marcas das construções de carreira.

Os profissionais em cargos de comando se esforçam para atribuir o sucesso da empresa não a uma estratégia corporativa, mas principalmente ao dedo pessoal de seu primeiro executivo.

Você se vê assumindo uma gerência exigindo o acompanhamento de um auxiliar e de um coordenador de atividades? As contratações deixariam de ser de pessoas para passar a ser de “pacotes” de profissionais.

A imagem parece ser distante, mas a condição de uma gestão com responsabilidades compartilhadas é fundamental em qualquer organização. Ninguém chega sozinho para comandar uma equipe rumo aos objetivos desenhados. Saber atuar em conjunto com outros líderes e estruturas de apoio, sem deixar prevalecer a vaidade extrema, mas colocando sua marca pessoal, é um desafio a ser aprendido.

Nessa rede, importante mapear a figura do mestre-tutor, do apoiador e do suporte. Quando mudar de empresa, leve em conta também a falta que esse patrimônio de relações fará para seu desempenho na nova organização.

Fonte: Portal Época Negócios / Coluna Prazo de Validade por Carlos Faccina. Carlos Faccina trabalhou 25 anos na Nestlé no Brasil e na Suiça, onde ocupou a Direção de RH, Assuntos Estratégicos e Públicos. É autor do livro “O Novo Profissional Competitivo: Mais Razão, Emoção e Sentimento na Gestão”, da editora Campus. Mestre e Doutor em Ciências, professor universitário, conferencista e consultor reconhecido. É Professor da FAAP e BSP.

A Jiva é especialista em soluções de gestão empresarial para pequenas empresas. Nossas soluções atuam desde a realização de um diagnóstico sem custo para mensurar o nível de maturidade da gestão das empresas, o compartilhamento das melhores práticas em processos, a implantação do sistema integrado de gestão empresarial – ERP, até o acompanhamento evolutivo dessa gestão, garantindo que os benefícios sejam usufruídos e se consolidem na cultura dos clientes.

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